A menina das montanhas azuis

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Depois de uma semana na praia, a saltar de onda em onda, em Umina Beach, partimos rumo às Montanhas Azuis. Aqui encontrámos um cenário de cascatas, desfiladeiros, bosques, penhascos, rochas de arenito esculpidas a chuva e vento, eucaliptos a perder de vista e floresta tropical. Uma oportunidade única para ficar a assistir à Terra a girar com as nuvens sobre as nossas cabeças.

“Vamos às montanhas ver a Heidi!”. Para a Mia, longe dos amigos do dia-a-dia, as personagens dos livros e dos desenhos animados fazem parte contínua da nossa viagem. Neste caso a referência é maravilhosa. A Heidi é uma menina que desfruta da liberdade que lhe oferece a montanha, corre pelos vales e toca as nuvens como um pássaro. Foi à procura desta relação simples e feliz com a natureza que nos fizemos à estrada. Deixámos o oceano rumo à montanha, na carrinha da família que nos acolheu em Umina, cheios de recomendações e com as expectativas bem acima dos mil metros de altura do planalto onde ficam as Montanhas Azuis, património da Humanidade segundo a UNESCO.

No primeiro impacto as montanhas não parecem tão azuis quanto o seu nome mas, dependendo da hora do dia e do tempo, é possível perceber o tom azulado. Contam-nos que vem de uma substância libertada pelo mar denso de eucaliptos que povoa as montanhas e que, em conjunto com partículas de água e de pó, criam a tal cor azul que nomeia o lugar.

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image (8)A formação rochosa Three Sisters – as Três Irmãs – um dos postais do Parque Natural

imageNós aqui a tapar uma das Três Irmãs

image (10)A cascata de Katoomba e o arco-íris

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No primeiro dia no Parque Natural das Montanhas Azuis optámos por “despachar” a parte mais turística. Fomos ao miradouro do Echo Point e andámos no Scenic World, um parque temático que permite explorar a natureza das Montanhas Azuis de uma forma mais fácil e imediata, incluindo a formação rochosa chamada Three Sisters, o “cartão-postal” mais conhecido da zona.

Reza a lenda que três irmãs, Meehni, Wimlah e Gunnedoo, foram transformadas em pedra por causa de um amor proibido. No local há quem garanta que são contos aborígenes, outros dizem que são só histórias para atrair visitantes. Certo é que ao pôr-do-sol a paisagem é esplendorosa como constatámos quando, no teleférico, deslizámos entre falésias e sobre a floresta, descendo até ao Vale Jamison. A Mia adorou a experiência e, ao contrário do que eu previa, não se assustou nada apesar de ter andado também no “elevador mais íngreme do mundo!”

image (2)Vida de campista em Mount Wilson

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No Parque Natural das Montanhas Azuis, os dias são passados à procura dos melhores miradouros, a caminhar nos trilhos no meio da mata – bushwalking -, a observar a natureza. O campismo é uma festa para a Mia. Tal como a sua “amiga” Heidi, também ela parece encontrar alegria na simplicidade da montanha e à descoberta das suas pequenas maravilhas: apanhar pedrinhas, folhas do Outono, pinhas, ver os animais, sejam aranhiços, lagartixas ou cangurus.

Quando, a caminho do miradouro Sublime Point, está nevoeiro cerrado no cume da montanha e não conseguimos ver nada, a nossa frustração desaparece quando a Mia corre e diz que quer “tocar nas nuvens…como a Heidi”, a menina das montanhas.

image (13)“Quero tocar nas nuvens como a Heidi!”, diz a Mia

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image (1)Acampámos em Mount Wilson, uma zona afastada da área mais turística do Parque, na beleza do início do Outono

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Nesta altura do ano algumas zonas do Parque já estão vestidas com as cores do Outono e a paisagem torna-se um festival de amarelos, laranjas e vermelhos realçados pelos raios de Sol. É neste entardecer que preparamos o jantar num dos muitos parques gratuitos que existem nas Montanhas Azuis – e por toda a Austrália. Espaços relvados com as condições mínimas e indispensáveis – casa de banho e água corrente – onde é possível fazer uma fogueira, preparar refeições e pernoitar.

Depois do jantar olhamos o céu, impossível de fotografar mas que a Mia descreve: “Mãe, olha, estas árvores têm luzinhas penduradas nos ramos!”. São as estrelas que brilham por cima das copas frondosas…

image (7)A fazer “actividades” e um presente especial

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A nossa jornada na região de New South Wales – sobre a cidade Sidney conto escrever outro dia – levou-nos da praia de Umina às Montanhas Azuis. Às conchas do mar que apanhámos  na praia de Umina juntámos folhas de outono, troncos e pinhas das Montanhas Azuis. Unimos com cordão o oceano à montanha, a água à terra. Pendurámos num ramo de árvore onde ficou uma noite debaixo do céu estrelado, do vento e de uma chuva intensa.

Quando regressámos a Umina para devolver a carrinha emprestada, a Mia ofereceu orgulhosamente o móbil/espanta -espíritos/caça-sonhos de presente ao seu novo amigo australiano. Custou-lhe dizer: “Adeus, Jimmy!”. Espero que um dia perceba que a melhor forma de saber se uma viagem vale mesmo a pena são os amigos que fazemos pelo caminho…

image (4)Espanta-espíritos com conchas da praia de Umina e folhas e pinhas das Montanhas Azuis, o nosso pedaço da região de New South Wales. Um presente da Mia para o seu novo amigo da Austrália

Como ir às Montanhas Azuis:

  • Viajamos numa carrinha apetrechada com colchões e equipamento de cozinha, ficámos a acampar nos parques gratuitos, fomos às compras no supermercado e fizemos as refeições no camping. Para quem esteja sem carro é possível ir de autocarro ou de comboio a partir de Sidney até Katoomba, que é a cidade base para quem vai explorar as Montanhas Azuis. De transporte colectivo a viagem deve demorar cerca de 2 horas.
  • Em termos de infra-estruturas e acessibilidades está tudo pensado no Parque Nacional das Montanhas Azuis, incluindo rampas de acesso para carrinhos de bebé e cadeiras de rodas em alguns dos percursos e trilhos. Há também autocarros de turismo daqueles que dá para entrar e sair nas atracções turísticas que se quiser.
  • Além do campismo livre – ou em parques “oficiais” – existem também várias opções de alojamento – desde hostels a hotéis com spa – e restaurantes nas pequenas localidades ao longo da estrada que une as Montanhas Azuis. Glenbrook, Wentworth, Katoomba, Leura e Blackheath são as principais.
  • Os nossos amigos australianos garantem-nos que as Montanhas Azuis também são cenário ideal para a prática de desportos radicais como rapel e caminhadas nos desfiladeiros com direito a mergulho em águas geladas mas apetecíveis.
  • O bilhete de entrada para o Scenic World custa 39 dólares australianos por pessoa e as crianças pagam a partir dos 4 anos.

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