dicas

Voltámos ao Japão, só aqui no blogue, para responder a algumas questões que nos foram chegando. Aqui ficam as nossas dicas para viajar no país do Sol nascente e algumas especiais para quem pensa ir com crianças.

O nosso roteiro

Decidimos fazer do Japão o ponto de partida para a nossa viagem de volta ao mundo porque: em primeiro lugar, queríamos muito conhecer o país e depois, já que íamos para o outro lado do mundo durante vários meses, fazia todo o sentido aproveitar o embalo para fazer esta “paragem”.

Cautelosos com o que sempre ouvimos sobre o elevado custo de vida do país, achamos melhor reduzir ao máximo a duração da nossa estada pelo país do Sol nascente. Apontámos então para duas semanas distribuídas da seguinte forma: o roteiro tradicional entre Tóquio (sete noites) e Quioto (três), e uma segunda parte mais alternativa com uma ida ao Sul do Japão: Kagoshima (uma noite) e a pequena ilha de Yakushima (três noites).

Custo de vida

Apesar de todos os mitos e factos sobre o custo de vida elevado no Japão, os preços foram uma agradável surpresa, ainda que não seja um país propriamente barato, claro. Há uma justificação para tal: estudos sobre o custo de vida nas principais cidades do mundo indicam que as metrópoles japonesas têm caído várias posições nestas listas ao longo dos últimos anos, como resultado do enfraquecimento do iene japonês face ao dólar norte-americano.

Alojamento

Utilizámos quase sempre o arrendamento de quartos ou apartamentos através de portais como o airbnb; ficámos também numa machiya (para ter a experiência de viver numa casa tradicional japonesa) e num minshuku (pousada familiar com quartos individuais e casa-de-banho partilhada). Ao contrário das expectativas percebemos que é possível arrendar um quarto com casa-de-banho em Tóquio por… 25 euros por noite!

Transportes para viajar no país

image (3)

Ainda antes da viagem comprámos pela internet o passe para viajar de comboio no Japão. Chama-se Japan Rail Pass e só pode ser comprado por estrangeiros que estejam fora do Japão, ou seja, tem de ser comprado antes da viagem. Comprámos neste site e foi-nos enviado pelo correio para Portugal.

Vale mesmo a pena comprar o Japan Rail Pass?

As viagens de comboio a vulso são mesmo muito dispendiosas no Japão. O JR Pass compensa sempre que se pretenda ir além de Tóquio. O passe – espécie de interail nipónico -para 7 dias de viagens ilimitadas dentro do Japão custa 224 euros e para 14 dias custa 358 euros.

No nosso caso sabíamos que queríamos sair de Tóquio e ir conhecer outros sítios e por isso era vital ter este passe que torna as viagens muito mais acessíveis. Com o JR Pass também é possível percorrer grande parte das linhas de metro e comboio dentro de cidades como Tóquio e Quioto e, muito importante, pode ser utilizado nos trajectos de e para o aeroporto (comprando individualmente estes percursos podem custar mesmo uma pequena fortuna).

A Mia ainda não paga bilhete (que sorte!) e, por isso, também não teve direito a lugar marcado mas conseguimos sempre ir os três sentados. Para as viagens mais longas é preciso reservar nos balcões da Japan Rail que existem em todas as grandes estações. Também é muito fácil mudar a data e horário da viagem se quisermos alterar os planos.

Os comboios japoneses são confortáveis, rápidos, seguros e (para um português até demasiado) pontuais. Andar no shinkansen, comboio-bala faz parte da experiência japonesa e as horas passam sem se dar por elas.

Transportes para deslocações dentro da cidade de Tóquio

É um desafio. A rede de metro e de comboio é extensa e, por vezes, a barreira linguística pode ser um problema. Viajar com uma criança (e um carrinho) nas horas de ponta também faz subir uns níveis no grau de dificuldade…

IMG_0832

Algo que só percebemos depois de errar algumas vezes: cada estação pode ter várias saídas e optar pela errada equivale a andar quilómetros. Alguns guias como o da Lonely Planet indicam a saída correcta para visitar determinado local de interesse. Dá mesmo muito jeito.

image(5)

Lugares a não perder 

Escrevi sobre os nossos sítios preferidos em Tóquio aqui, em Quioto aqui e em Yakushima aqui e aqui. Fomos também ao emblemático Mercado do Peixe de Tsukiji, que vai mudar de localização em breve. Sem dúvida que vale uma visita mas confesso que estava à espera de ter ficado mais impressionada. Fiquei a pensar que para quem é de Setúbal, como eu, talvez seja difícil superar o Mercado do Livramento e as docas da pesca…

Refeições

Também ao contrário das nossas expectativas o custo com as refeições não é tão elevado quanto pensavámos. Na maioria dos restaurantes onde fomos é possível fazer uma refeição por cerca de 8 euros por pessoa. O problema consiste, muitas vezes, em conseguir explicar o que se pretende. Para facilitar e evitar que os estrangeiros fiquem “lost in translation” alguns restaurantes têm uma montra na entrada com o conteúdo em plástico dos pratos. Assim não há equívocos.

Se optarmos pela volante “comida de rua” fica ainda mais em conta e há para todos os gostos. Comprar no supermercado pode ser um grande desafio para tentar adivinhar o que está mesmo dentro das latas e embalagens. Até uma simples lata de atum pode levantar dúvidas! Superando essa barreira, os preços são aceitáveis.

IMG_1671

Ao princípio estranhámos mas depois habituamo-nos e até gostamos… do pequeno-almoço tradicional japonês. É composto por sopa miso (um caldo com soja e legumes), uma posta de peixe grelhado e tigela de arroz. Uma refeição completa, portanto, para começar bem o dia.

Máquinas de vending

Os japoneses adoram máquinas de venda automática que existem em muitas esquinas das localidades. Podem vender vários tipos de produtos mas os mais comuns são refrigerantes e outras bebidas como café. Atenção: o botão azul é para as bebidas frias e o botão vermelho para as quentes!

vending

Visto

Os portugueses estão isentos de visto para viagens em turismo até 90 dias.

O que faria diferente se começasse agora a planear

No início do planeamento ficámos muito condicionados pelo mito do Japão ser um país extremamente caro. Talvez também por ser época baixa, acabou por ser mais barato do que estávamos à espera. Se tivesse de planear agora a mesma viagem eis o que faria diferente:

  • Teria vencido o frio e a preguiça e visitado o Monte Fuji num dos dias em que estivemos em Tóquio.
  • Teria marcado a viagem para a época da Primavera e das cerejeiras em flor (fim de Março, início de Abril) mesmo com a possibilidade de nessa altura os preços serem mais elevados por ser época alta.
  • Gostaria de ter ficado mais dias na Ilha de Yakushima – é longe de Tóquio, o Japão é um país enorme – e aproveitado melhor este lugar património da humanidade com caminhadas pelo meio da floresta, que são longas e díficeis de fazer com uma criança pequena, especialmente devido à instabilidade do clima. “Chove oito dias por semana em Yakushima”, dizem os locais.
  • Teria aproveitado melhor os Onsen, os famosos banhos japoneses nas águas termais.

 

Dicas especiais para viajar com crianças

20160224_165931

Geralmente as maiores preocupações quando se viaja com crianças é a segurança, o acesso à saúde, as condições de higiene e a alimentação. Nada disto é um problema no Japão.

Alimentação

Esta era a nossa maior preocupação mas foi muito tranquilo encontrar opções gastronómicas para a Mia. O ramen (caldo de massa com carne ou peixe ou marisco, ou tudo misturado), as omeletas – okonomiyaki, o peixe grelhado, foram excelentes opções.

Todos os restaurantes onde fomos, sem excepção, e estivemos em alguns bem pequenos e esconços, todos disponibilizavam, além dos tradicionais pauzinhos, talheres próprios para as crianças.

O ritual de descalçar e sentar no chão, como acontece em grande parte dos restaurantes, é muito divertido para os mais pequenos.

Além da comida japonesa há também muitas alternativas nas grandes cidades, como pizzarias e todo o tipo de fast food padronizada.

image(2)

Algodão doce tricolor e gigante…talvez não seja o melhor exemplo da alimentação saudável que a Mia teve por terras japonesas…

Parques

Os parques de Tóquio foram os nossos melhores amigos para recuperar das maleitas da diferença horária. Repletos de pássaros, peixes nos lagos, flores nos jardins, são cenários perfeitos para relaxar, correr e inventar um número sem fim de brincadeiras.

image(3)

Comboios

As crianças adoram comboios! E falar de comboios, ver passar comboios, andar em comboios é uma constante no Japão e foco de animação permanente.

IMG_1224

Parques de diversões e museus

Fomos apenas ao Museu Ghibli como já contei e porque a Mia é grande fã de um filme de animação do realizador Myazaki Hayao. Achámos que não se justificava, pela idade dela, ir ao Tokyo Disney Resort ou ao Universal Studios Japan mas são sítios que devem manter os miúdos mais crescidos entretidos por umas boas horas/dias.

Casas de jogos

Para os miúdos mais crescidos acredito que deva ser o máximo ficar a aproveitar as casas de jogos que se encontram em todos os cantos de Tóquio.

image(4)

Casas-de-banho

Sim, casas de banho! O Japão tem das melhores casas de banho do mundo – públicas e privadas. As sanitas têm uma parafernália de botões e são um autêntico sistema hi-tech: contemplam desde aquecimento no assento a esguichos de água direccionados para as zonas à escolha, mais som ambiente… Ir à casa-de-banho no Japão com a Mia era uma festa!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s