Águas que fervem, imaginação que fervilha

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O que têm piscinas vulcânicas e minerais que ver com espirais de massa verde? Na imaginação da Mia está tudo ligado. Fomos conhecer Wai-O-Tapu, as “Águas Sagradas” de Rotorua, na Ilha Norte da Nova Zelândia.

Quando nos aproximamos de Rotorua, Ilha Norte da Nova Zelândia, entramos num cenário quase dantesco. O lugar é conhecido como “A Cidade Sulfúrica” e o cheiro a enxofre – vulgarmente conhecido como aroma a ovo podre – é uma constante. Além de parecer que, ao nosso redor, há centenas de chaminés a deitar fumo. A paisagem vulcânica é dominada pelos montes Maungakakaramea e Tarawera e, debaixo dos nossos pés, correm rios aquecidos pelo magma de erupções antigas.

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Até ao momento este foi o lugar com mais turistas por metro quadrado que visitámos na Nova Zelândia, quase todos chegam à procura dos parques geotermais da região e de conhecer melhor a cultura maori.

Foi aqui que visitámos o parque geotermal de Wai-O-Tapu (significa “Águas Sagradas” em língua maori) onde, ao longo de milhares de anos, a actividade vulcânica tem esculpido crateras, piscinas de lama e de água a ferver, géisers, fumarolas de vapor.

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Durante todo o percurso em Wai-O-Tapu, cerca de hora e meia, fomos dizendo à Mia que naquele sítio o centro da terra “fala” connosco. A lama e a água a ferver que emerge em rios, cascatas e lagos é uma comunicação das entranhas da casa maior onde habitamos. Por vezes a terra irrita-se um pouco mais, e das mensagens passa aos gritos… Mas não falemos disso até porque a última erupção na zona – que deixou subterrada toda uma aldeia – aconteceu faz este mês 130 anos. Ou seja, se considerarmos a linha temporal da História do Universo, foi “ontem de manhã”.

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Ao caminhar ao lado dos inúmeros buracos de água em ebulição, tentávamos a comparação: “Já viste, Mia, parecem as panelas com água a ferver onde cozemos arroz”. E seguíamos o percurso passando por piscinas coloridas como nomes sugestivos como “Cratera do Arco-íris”, “Paleta do Artista”, “Cratera do Inferno” ou “Piscina de Champanhe”.

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As águas borbulhantes estão tão quentes – há registos de temperaturas até 300 graus – que absorvem os vários minerais depositados nas rochas. E diferentes minerais dão origem a toda uma paleta de cores. O amarelo, por exemplo, é dado pelo enxofre, o branco pela sílica, o laranja pelo antimónio, o roxo pelo óxido de manganésio, o preto pelo carbono sulfúrico.

No final do passeio encontrámos a Piscina do Diabo, que mais se assemelha a uma visão do Éden, e onde a água a escaldar absorve um composto de sulfúrico e sais de ferro que lhe dá esta tonalidade verde.

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Ao olhar para aqui a Mia, demonstrando que até ia a prestar atenção às nossas explicações, exclamou: “Ah, está bem, aqui não é para cozer arroz! Aqui cozeram massas, daquelas verdes, e a cor ficou na água…”.

E eu não consigo encontrar melhor explicação para o fenómeno.

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Um géiser com relógio

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Foi também neste parque que visitámos o géiser Lady Knox, protagonista de um fenómeno da natureza que assume contornos muito pouco naturais, passe a redundância, nesta atracção turística. Todos os dias às 1oh15 uma multidão concentra-se no anfiteatro em frente ao géiser. “Vamos assistir a um espectáculo, mãe? O que é que vai acontecer?”, perguntava a Mia sem perceber nada do que se estava a passar.

Na verdade nós também não. Um géiser que explode a horas certas?! Que coisa tão estranha… Afinal, as erupções destas nascentes termais não são espontâneas e sem hora marcada? São. Mas esta falta de horários da parte dos géisers não se compadece com a actividade turística. Os turistas que visitam a zona querem ver um géiser em actividade, por isso, à hora marcada, aparece um guia do parque com um saco de papel nas mãos.

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Depois de uma breve explicação sobre o géiser, o guia retira do saco uma espécie de sabão (orgânico, garante) e atira para dentro do cone. Passados alguns segundos desta erupção induzida, o géiser começa a fazer “aquilo para que lhe pagaram”, ou seja, a jorrar. A coluna de água quente sobe algumas dezenas de metros em direcção ao céu, espalhando nuvens de vapores e arrancando suspiros de admiração no público e, até, uma salva de palmas da Mia.

Mais uma manhã bem sucedida em Wai-O-Tapu.

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“Dica de amigo” para quem visitar a região de Taupo/Rotorua

Amigos portugueses que estiveram por aqui há uns meses com as duas filhas, recomendaram-nos o parque geotermal Orakei Korako, mais perto do Lago Taupo, onde não fomos por já estar a fechar quando lá passámos. Ficámos com curiosidade e é provavelmente uma boa opção para quem prefere fugir às multidões.

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