A vida numa caravana

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Há mais de um mês a nossa viagem tem sido feita não a três mas a quatro. Nós e a autocaravana que alugámos na cidade de Christchurch, ilha Sul, e nos tem levado aos quatro cantos da Nova Zelândia. Subam a bordo.

Lembro-me de, desde miúda, adorar ir à Feira Nauticampo na FIL, em Lisboa. No meio de todos os produtos e serviços para quem gosta da vida ao ar livre e da natureza, havia uma área que me seduzia particularmente: a das roulotes e autocaravanas em exibição. Adorava entrar lá para dentro e ficar maravilhada com aquelas verdadeiras casas que era possível transportar para todo o lado. No entanto, nunca viajei em nenhuma: a mobilidade de um veículo mais pequeno como é um automóvel sempre levou a melhor. Até agora.

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Quando planeávamos esta viagem de volta ao mundo, uma das primeiras decisões foi que percorreríamos as Ilhas da Nova Zelândia a bordo de uma “motorhome”, literalmente, uma casa com motor. Pareceu-nos a melhor opção para viajar em família num país onde os espaços ao ar livre, as caminhadas e o desfrutar da natureza não são apenas uma opção mas um verdadeiro modo de vida.

Tivemos uma primeira experiência na Austrália onde fomos numa pequena caravana às Blue Mountains e ao Norte de Queensland, como já escrevi por aqui. Gostámos muito mas estávamos sempre dependentes de pernoitar num parque de campismo para cozinhar e tomar banho. Na nossa Fiat Ducato, que alugámos na cidade de Christchurch através de uma das inúmeras empresas que existem para este fim, a independência é quase total e o fim da estrada é o único limite.

Na nossa rotina a bordo da caravana, todos os dias acordamos num sítio e vamos dormir noutro diferente. As localizações são quase sempre dignas de hotéis de cinco estrelas e das janelas temos vista ora para lagos azul turqueza, ora para montanhas com picos cobertos de neve, fiordes e céu estrelado, ora para parques de estacionamento… Mas na Ilha Sul da Nova Zelândia até os parques de estacionamento podem ser um cartão-postal. Vejam lá.

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Em algumas noites ficamos mesmo em sítios bastante remotos, sem rede de telemóvel. Quase sempre vemos aproximar-se os faróis de outra caravana, nas outras vezes os parques estão por nossa conta e as únicas luzes visíveis são o brilho das estrelas, constelações e planetas que se avistam dos céus do Sul. Inesquecível e arrebatador.

Há quase 40 dias que não temos de nos preocupar com malas para trás e para a frente, nem com transportes ou horários. A vida nómada a bordo de uma caravana permite o luxo de sermos nós a moldar o tempo e espaço ao gosto da nossa vontade.

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Escrevo quando estamos prestes a abandonar a nossa caravana. Os últimos tempos na Nova Zelândia serão passados num apartamento em Auckland e a seguir partimos para as Fiji. Não vai ser fácil dizer adeus a esta companheira que fizemos por aqui, a nossa Lucy, que é feia e descarada que dói, mas levou-nos a lugares lindos e memoráveis. A Mia há pouco resumiu o nosso estado de espírito: “Esta casinha é tão gira. Vou ter tantas saudades”…

Viajar na Nova Zelândia de caravana – questões práticas:

Onde estacionar a caravana à noite?

A bordo de uma caravana na Nova Zelândia existem três formas para passar a noite:

  • Os chamados “holiday park” que são parques de campismo comerciais, com todas as facilidades e custam entre 20 a 30 dólares por pessoa.
  • Os campgrounds do DOC (Department of Conservation – a entidade que faz a gestão dos parques nacionais do país) que variam entre os 5 e os 15 dólares por pessoa. Na maior parte dos sítios onde fomos não havia ninguém a quem fazer o pagamento. Há uns expositores com caixa de correio a dizer “camp fees” e envelopes para preencher e onde colocámos o dinheiro. Tudo na base da confiança.

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  • Sítios com “free camping”, ou seja, onde é permitido acampar gratuitamente. Algumas vezes ficámos mesmo em parques de estacionamento onde é permitido pernoitar. Na maior parte destes sítios só podem acampar “self contained”, ou seja, caravanas com casa-de-banho incorporada.

Nota muito importante: há uma aplicação que é a verdadeira bíblia do campista da Nova Zelândia e que se chama wikicamps. Contém a lista de todas estas opções e comentários de utilizadores.

Como se trata dos resíduos da casa de banho e cozinha?

Uma parte menos “charmosa” da vida nómada feita numa caravana tem que ver com a gestão dos resíduos da casa-de-banho. Conectado com a sanita há um recipiente que se retira pelo exterior da caravana e se despeja nos sítios próprios, assinalados como “dump station”. Estas fossas existem nos parques de campismo e também em alguns locais das localidades que estão assinalados nas estradas ou podem ser consultados na aplicação que já referi: wikicamps.

É possível ir buscar a caravana numa cidade e fazer a devolução noutro local?

Sim. Foi o que nós fizemos: apanhámos a caravana em Christchurch, ilha Sul e vamos devolver em Auckland, ilha Norte. A maior parte das empresas que alugam autocaravanas (Jucy, Britz, Maui, Mighty, Apollo, Wilderness, Wicked Campers, entre outras) têm várias sucursais espalhadas pelo país e permitem fazer isto mesmo. A nossa caravana estava também toda equipada com lençóis, toalhas e utensílios de cozinha.

É fácil de conduzir uma autocaravana? Não é perigoso? Quais os cuidados a ter? 

A condução faz-se pelo lado esquerdo. Essa é a primeira questão e vale, claro, para todo o tipo de viaturas. Segundo o Francisco, o condutor de serviço: “Não é nada do outro mundo e conduz-se bem. É importante ter uma boa noção das dimensões da caravana”. Especialmente a estacionar. E também ter em conta terrenos de gravilha ou lamacentos, com chuva ou neve.

Viajámos na época baixa, final do Outono/início do Inverno e, por isso, não apanhámos as enchentes de autocaravanas que nos disseram ser comuns pelas estradas da Nova Zelândia. Nessas alturas é preciso redobrar a atenção: em cada estrada há um motivo para parar, apreciar a paisagem e fotografar e, por isso, há muito quem estacione em cima de curvas e em lugares pouco recomendáveis.

Não temos dúvidas que, com todos os cuidados e cautelas, alugando uma motorhome ou uma caravana mais pequena, esta é a melhor forma de conhecer a Nova Zelândia viajando de forma independente.

5 pensamentos sobre “A vida numa caravana

  1. E já agora explica-me uma coisa: Vocês alugaram a caravana a 3000 Kms. Onde é feita a entrega?

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    • 🙂 Boa pergunta, vou acrescentar. Podemos alugar a caravana numa cidade e devolver noutra. Foi o que fizemos: alugámos em Christchurch, que fica na ilha sul e vamos devolver em Auckland, na ilha norte.
      Beijinhos

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  2. Joana, imagino que esta aventura vos esteja a dar imenso gozo. Gosto inenso dos teus relatos de viagem. Beijinhos a Mia, ao Francisco e para ti.
    Que tudo continue a correr bem, mesmo sem a Lucy.
    FATU

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  3. E vou expandir as suas ideias de exploração turística cá em Angola passando pela África Austral todas e depois a Subsariana… muito bom mesmo minha mana!

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