Pode a tecnologia ajudar a “salvar” o mundo?

greece-refugee-tech-3004Foto: CNET

Que impacto poderá ter a tecnologia nas causas sociais? A tecnologia tem muita força, já sabemos, mas… e se estiver humanizada, consciente e comprometida com os problemas que afectam o mundo? No Web Summit, considerado um dos maiores eventos de tecnologia e inovação do mundo, um dos temas que mais me interessou foi quando se falou de empresas de tecnologia que colocaram o seu know how ao serviço dos refugiados. Explico porquê.

“O que levaria na mochila se fosse refugiado?” Esta foi uma campanha recente para ajudar à reflexão e ao debate sobre como seria deixar a nossa casa e a nossa vida de um dia para o outro, tal como aconteceu aos mais de vinte milhões de refugiados que existem em todo o mundo. Muitos responderam “o telemóvel”. À primeira vista poderá parecer estranho mas estamos no século XXI e logo a seguir a água, comida, alojamento e cuidados de saúde, a conectividade está na lista de prioridades.

Essa parece ser também a resposta dos refugiados que chegam à Europa desorientados e fragilizados com um telemóvel na mão ou com o desejo de ter um telemóvel na mão: querem tentar contactar familiares e amigos, saber do país que deixaram para trás, obter informação sobre o país onde estão, estabelecer contactos que lhes permitam seguir em frente. Para tudo isso precisam de um meio de comunicação.

Migrants On Greece's Lesbos IslandRefugiados Sírios na Grécia, Foto: Getty Images

new-scientistFoto: News Scientist

Empresas de tecnologia, desde gigantes como a Cisco, a plataformas como a Techfugees (que durante o Web Summit lançou a sucursal portuguesa) fazem parte de uma rede global de inovadores que querem colocar a tecnologia ao serviço da causa dos refugiados e estão a contribuir para o processo de acolhimento e integração destas pessoas com a criação de serviços variados. No Websummit foram apresentados alguns projectos que acabaram por me levar até outros. Aqui ficam alguns exemplos.

A formação em programação que faz a Re:Coded no Iraque ensinando refugiados a dominar códigos e algoritmos na perspectiva de conseguirem posteriormente emprego numa área em expansão; a integração e apoio aos negócios que faz a Startup Refugees na Finlândia;  a Another Kind of Girl Collective que dá formação em fotografia e vídeo a raparigas adolescentes sírias nos campos de refugiados da Jordânia com o objectivo de que contem as suas histórias na primeira pessoa e não fiquem dependentes dos relatos de terceiros vindos do Ocidente; a Refugees Open Ware (ROW), uma startup que ensina refugiados a reciclar materiais e dá formação em impressão 3D; aplicações gratuitas que permitem, em vários idiomas, aprender sobre os costumes de um país, as leis e a língua como criou a Funzi; os facilitadores na obtenção de casas (uma espécie de “airbnb para refugiados” como faz a Refugees Welcome ou a Refugee Hero); projectos de tradução simultânea à distância em contentores transformados em consultórios médicos como faz a Cisco na Alemanha. E existem muitas mais.

Se os resultados práticos de tudo isto vão ser positivos, se haverá continuidade em todos estes projectos entusiasmantes que, à partida, parecem bastante razoáveis e úteis, só o futuro dirá mas há uma certa ideia de se estar a caminhar “do lado certo da força”. Um bom artigo sobre este tema, aqui.

Por isso, pode a tecnologia ajudar a “salvar”o mundo? Não sei, mas pode pelo menos tentar.

E para terminar, um dos outros lados bons da tecnologia é, com toda a certeza, permitir a partilha de acções como esta da Amnistia Internacional da Polónia, uma experiência em que pessoas de várias origens e vindas de vários pontos deste hotel globo universal – europeus e refugiados – foram “forçadas” a olhar-se nos olhos durante quatro minutos. Ainda não inventaram melhor ideia do que a ternura e, às vezes, é só o que é preciso para ir dobrando o preconceito em vários pedaços, cansá-lo até ficar bem pequenino e deitá-lo fora, por fim. A ver.

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