Marcha Civil por Alepo: 1 semana

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“Tivemos uma primeira semana muito difícil e exigente na Marcha Civil por Alepo, que partiu de Berlim no passado dia 26 de Dezembro. A noite anterior iria ser igualmente exigente: estava prevista uma noite muito fria e estávamos mentalmente preparados para dormir no exterior, a primeira vez desde que começámos a caminhada. Ao mesmo tempo preparávamo-nos para uma manifestação nazi que iria acontecer por causa da nossa chegada (não era a primeira vez, infelizmente). Estávamos ansiosos, cansados e um pouco assustados.

Mas depois… em vez de montarmos as tendas num campo de futebol gelado, fomos convidados para dormir num edifício aquecido. Na praça principal em vez de nazis, fomos recebidos por um grupo de sírios que estavam à nossa espera. Em vez de ficarmos ao frio, uma igreja convidou-nos a entrar e foi aí que os nossos novos amigos sírios levaram um jantar maravilhoso convidando, mais tarde, alguns de nós para as suas casas.

E de um momento para o outro, tínhamos outra vez motivos para sorrir.

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Durante cada quilómetro da nossa marcha não podemos deixar de pensar nas centenas de milhares de refugiados que fugiram para a Europa pelas mesmas estradas que percorremos. Não podemos deixar de pensar que não tinham (nem têm) equipamento adequado para caminhar na neve ou uma cozinha móvel para fazer sopa e chá quente. Não foram convidados para pernoitar nas escolas, não tinham com eles um carro de apoio em caso de emergência, não tinham os seus amigos e familiares a sorrir ao lado.

Não podemos deixar de pensar que esses refugiados não vieram anunciados positivamente na comunicação social, não foram saudados por pessoas simpáticas que os esperavam nas esquinas das localidades. Não foram recebidos nas praças da cidade, não receberam comida de presente, não entoaram canções com os seus novos amigos.
Não podemos deixar de pensar na tristeza, exaustão e medo que tiveram de enfrentar durante a sua travessia. E que não tinham casas e empregos para onde voltar, nem podiam ir e vir como quisessem, nem sentiram o apoio de milhares de pessoas em todo o mundo.

Então, obrigado a todos os que nos tocaram com o seu apoio e generosidade até agora. Esperamos que 2017 nos veja a todos mais generosos, acolhedores e compreensivos para com aqueles que foram obrigados a fugir, para com todos os que foram (e são) injustiçados por este mundo fora”.

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(EN)

“We’ve had a very difficult and demanding week. Last night was going to be equally challenging: it was supposed to be a very cold night and we were mentally preparing to sleep outside for the first time since we left, while at the same time trying to emotionally prepare to face a nazi demonstration we were informed would be taking place in the town we were arriving at (not the first one we’ve faced so far, unfortunately). We were anxious, tired and a bit scared – an awful mix of feelings.

But then… instead of pitching our tents in a freezing football field, we were invited to sleep in a warm building. On the market square, instead of nazis, we were greeted by a group of lovely Syrians who had been waiting for us. Instead of staying out in the cold, a church invited us inside, where our new Syrian friends had brought us an amazing dinner, afterwards inviting some of us into their homes.
And just like that, life was good and beautiful again.

During our March we cannot _not_ think about the hundreds of thousands of refugees who were fleeing to Europe along those same roads we’re marching on now.

We cannot _not_ think about the fact that they didn’t have proper gear, sleeping equipment, warm hiking socks or a mobile kitchen to make hot tea. They didn’t get invited into schools, didn’t have a car with them in case of emergencies, didn’t have their friends and family members smiling next to them.

We cannot _not_ think about the fact that they didn’t come announced, positively publicised in the media, greeted by friendly people out in the open. They weren’t welcomed on town squares, weren’t given food, weren’t singing songs with their new friends.

We cannot _not_ think about how much stress, sorrow, exhaustion and fear they had to deal with during their passage. They didn’t have homes and jobs to go back to, couldn’t come and go as they pleased, didn’t feel the support of thousands of people from around the world.

So, thank you to everybody who has touched us with their support and generosity thus far.
We hope that 2017 will see us all being more giving, welcoming and understanding to those who have been misplaced, misjudged and mistreated”.

Fotos: Foto Soja

civilmarch.org

https://www.facebook.com/CivilMarchForAleppo/

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2 pensamentos sobre “Marcha Civil por Alepo: 1 semana

  1. Maria Julia Monteiro Jaleco

    “Coisas” destas aquecem a alma e fazem-nos sentir que fazemos parte da Humanidade

    Gostar

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