Diário de Chios #9

expo

A culpa foi toda do Mahmud. Sempre que me via com a máquina fotográfica no campo pedia-me para fotografar. Eu ia deixando, um bocadinho aqui, um bocadinho ali e, às tantas, já ele desaparecia pelo campo adentro à procura do melhor clique. À noite, quando eu chegava a casa olhava as fotografias dele e reparava em coisas que me escapavam durante o dia, via o campo pelos olhos do Mahmud: certos sorrisos, certos olhares, outros espaços do campo, pormenores do dia-a-dia, uma espontaneidade difícil de capturar por quem chega de fora e está de passagem. Perante o entusiasmo dele propus fazer uma espécie de mini-workshop com algumas das crianças mais crescidas. Sem grandes linhas orientadoras seria apenas um olhar sobre a vida num campo de refugiados segundo os próprios. As suas vozes traduzidas em imagens, uma forma de expressão em que eu não precisava de falar árabe ou curdo nem eles inglês para nos entendermos. Numa loja de fotografia da cidade pedi para imprimir as melhores. Hoje foi o dia da exposição à entrada do campo, uma galeria de arte ao ar livre. Bem sucedida e com muita procura: as fotos desapareceram quase todas.

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