A gente vai continuar

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Lembram-se do Forest Gump? Da cena do Tom Hanks a levantar-se de uma cadeira de baloiço numa varanda típica americana e a correr até ao fim da rua, e depois até ao fim da cidade, e depois até ao fim do Alabama, e depois por outro e mais outro Estado, passando anos a correr desenfreadamente pelos Estados Unidos?
Eu entendo-o perfeitamente. Por vezes temos de continuar sem saber muito bem porquê, vemos uma curva e queremos saber o que vem a seguir e continuamos, aparece-nos uma recta e vamos em frente, surge-nos o oceano e a única hipótese para nós é atravessá-lo e seguir caminho. Entendo essa urgência e essa vontade, e a inexplicabilidade de ambas.
Muitos quilómetros de estrada, centímetros de barba e bombons de chocolate depois, ele – Forest Gump – decidiu, enfim, parar. O momento dessa decisão foi nesta estrada soberba do Monument Valley, entre o Arizona e o Utah.
Para nós ainda não chega, não foi em Monument Valley o fim da nossa estrada.

Turquia

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A Turquia foi o destino de uma das viagens mais intensas que já vivi. Fui sozinha para Istambul, onde estive três dias, e de lá voei para Dyarbakir, no sudeste do país, onde me juntei a um grupo multicultural para participar como voluntária na reconstrução de uma escola. No regresso partilhei por e-mail com a família e amigos algumas fotos e um pequeno texto sobre a minha experiência. Isto foi em 2008.
Relembro, hoje, num dia triste e trágico uma experiência marcante que perdurou em mim mesmo com a passagem do tempo.

Um dos objectivos – e consequências, porque vinga – do terrorismo é alimentar o medo, a xenofobia, lançar o pânico e criar as divisões entre o “nós” e os “outros”. Volto hoje à Turquia que conheci por duas razões: porque a quero mostrar e porque na viagem sem retorno ao abismo da intolerância e do medo, espero nunca embarcar.
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On the road – outra vez

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Assistimos aos filmes, vemos as fotografias, lemos os livros, ouvimos os relatos. Toda a nossa vida. Por isso não esperamos surpresa alguma. Como pode surpreender-nos aquilo que conhecemos?! Mas o desfiladeiro esculpido pelo Rio Colorado durante milhões de anos, povoado por índios e pela sua cultura, popularizado no cinema por cowboys e cavalos que “falavam” inglês tem o condão de desafiar as (nossas) ideias feitas e se afirmar. Avassalador. Camadas sucessivas de amarelo, ocre, laranja, vermelho, castanho, roxo. O rio verde a serpentear o Grand Canyon. Com os olhos postos entre o horizonte e a Mia, oiço aquele assobio dos filmes do faroeste a que assistia com o meu Avô Zé e consigo sentir – perfeitamente – as músicas de Ennio Morricone a ecoar pelo Arizona.
A América (do Norte) é capaz do melhor e do pior e nunca consigo desligar-me dessa característica esquizofrénica sempre que cá venho.

Estamos nos Estados Unidos para mais uma road trip de sonho. Desta vez, pelos parques nacionais do Nevada, Arizona e Utah no ano em que o serviço que cuida de todas estas maravilhas naturais completa 100 anos. Estamos on the road. Outra vez.

Quantas faces tem o paraíso?

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As Fiji são a concretização do postal de férias perfeito: ilhas de praias com areia branca, águas mornas e azul turqueza, palmeiras, flores exuberantes, corais e peixes de todas as cores. Por aqui gravaram-se filmes como A Lagoa Azul com Brooke Shields e Náufrago com Tom Hanks. Não é preciso acrescentar muito mais sobre o cenário onde nos encontramos: é o paraíso. Mas o paraíso quando nasce está longe de ser para todos.
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Quem quer comprar uma ilha paradisíaca?

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Desde o início da viagem colecciono revistas de viagens e de bordo dos países e aviões por onde passamos. Apesar de toda a nossa bagagem não resisto a ir juntando mais carga. Isto dos blogues é muito moderno e prático mas o meu “negócio” são mesmo as palavras escritas impressas. E tenho o vício das revistas.

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Eles têm o mundo nas mãos

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Aterrámos em Nadi, e decidimos ir para Navala, uma aldeia na margem do Rio Ba, aninhada nas montanhas de Viti Levu, a ilha principal do arquipélago das Fiji. Entrar numa aldeia fijiana acarreta um certo protocolo. É preciso comunicar a nossa presença, obter a autorização do chefe da aldeia, trazer uma oferenda ou pagar uma propina de entrada. Só depois um guia leva-nos numa visita e podemos estar à vontade. Assim fizemos.
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Fiji: onde o Vasco ganha ao Cristiano

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São mais de três meses a rodar meio mundo. Recordo: Japão, Birmânia, Singapura, Austrália e Nova Zelândia. Nestas andanças perguntam-nos muitas vezes: “De onde são?”. A seguir à nossa resposta, na grande maioria das vezes, recebemos um entusiasmado:
“Ah! Cristiano Ronaldo!”
Mas depois, depois há um pequeno país-arquipélago plantado no Oceano Pacífico com águas transparentes, palmeiras e sorrisos. Sorrisos que são ainda mais transparentes do que as águas e mais frondosos do que as palmeiras – agora até devastadas pelo ciclone Winston de Fevereiro último. Mas nos sorrisos, nesses, não se vislumbra sinal de devastação.
E, quando nesse lugar, sabem que vimos de Portugal há um taxista com uma camisa florida que diz com um grau de empolgação que conhecemos de outros futebóis e um sorriso que conhecemos daqui:
“Portugal! Ah! Vasco da Gama!”
A que acrescenta: “Aprendemos na escola”.
Não sei os índices mas o sistema de ensino fijiano vai à frente no meu ranking…
Serve isto para dizer aquilo que já perceberam… chegámos às Fiji! E a Mia já cumprimenta todos com um sonoro e maravilhoso: “Bula!”

A língua de Camões e de “Inês” Huang

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Sentou-se junto a nós no comboio circular de Rangum, capital da Birmânia. Era uma jovem turista asiática e passado pouco tempo a ouvir-nos falar, pergunta: “Vocês são brasileiros?!”. “Portugueses? A sério? Eu falo português!”. “Inês” Huang é uma chinesa que aprendeu a falar português, e trabalhou como tradutora em Angola para empresas de construção civil chinesas. Quais eram as probabilidades deste encontro?

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