A língua de Camões e de “Inês” Huang

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Sentou-se junto a nós no comboio circular de Rangum, capital da Birmânia. Era uma jovem turista asiática e passado pouco tempo a ouvir-nos falar, pergunta: “Vocês são brasileiros?!”. “Portugueses? A sério? Eu falo português!”. “Inês” Huang é uma chinesa que aprendeu a falar português, e trabalhou como tradutora em Angola para empresas de construção civil chinesas. Quais eram as probabilidades deste encontro?

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“Círculo” da vida, o comboio de Yangon

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Subir no comboio circular de Yangon e percorrer as 39 estações durante três horas é encontrar uma janela aberta para o dia-a-dia das gentes de Myanmar/Birmânia. Uma viagem única desde o centro da cidade caótica até às zonas rurais, passando pelo colorido dos mercados a céu aberto que acontecem junto aos carris, e que termina trazendo-nos de volta à “cidade de sangue, sonho e ouro” que escreveu Pablo Neruda em 1927.

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“Menina não entra”

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Em Myanmar os monumentos religiosos são deslumbrantes mesmo para o ateu mais devoto. A beleza, dedicação e poder espiritual reflectidos na construção e ornamentação dos templos e santuários atrai e comove. A visita a estes locais impõe um certo protocolo mas a maior parte das regras e rituais são muito fáceis de transmitir a uma criança de três anos. Se na entrada dos templos é preciso descalçar os sapatos é para entrarmos o mais limpos possível, à semelhança do que fazemos em nossa própria casa. Se as pessoas sentam-se de pernas cruzadas ou de joelhos, voltadas para a estátua gigante dourada do Buda é para agradecer coisas boas que lhes aconteceram na vida, saber como encontrar o melhor caminho ou pedir que se realizem desejos. Isto é tudo muito fácil de explicar à Mia e de ela compreender.

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Mundo da Mia #3

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Só tens 3 anos e meio. A maior parte das vezes nem me lembro disso. Pareces gente grande e só mais um adulto no meio de nós, arrastada para o outro lado do mundo numa viagem que não escolheste fazer. Tens os teus momentos maus, péssimos até, mas impressiona a forma como entras em barcos, autocarros, comboios, aviões durante longas horas a fio, atravessas ilhas, países, continentes, o mundo, e parece apenas que estás no nosso batido trajecto Lisboa-Setúbal. Ou a forma como comes qualquer coisa que te pomos à frente por mais estranha que possa parecer. Ou como a cada poucos dias mudas de cama mas dizes sempre quando chegas: “Uau, que linda casinha nova!”. Ou os teus comentários observadores, certeiros, inusitados que me obrigam a pensar sobre determinado assunto.

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